sábado, 22 de maio de 2010

Rolê da perdição o Início


Este post é mais uma das espirais destrutivas em que um dos membros se meteram,foi escrito pela Rogue do Bueiro me abrace forte garota que eu conheci na augusta apresentada pelo mais perdido de todos os meus amigos.Ela escreve muito bem, e tanto esse texto quando o blog dela devem ser lidos


Primeiro devo esclarecer o significado do título. “Rolê da perdição” é caracterizado pelo rolê no qual os envolvidos estão dispostos a perder algo (por qualquer motivo), isto pode incluir dinheiro, consciência, dignidade ou simplesmente se perder, pois, como já disse Lispector “Perder-se também é caminho”.
Para um rolê da perdição, faz-se necessário os integrantes que desejam se perder. Neste que estou a contar, os integrantes eram:
Nelson Junior, perdido por natureza;
Jaqueline, perdida por ter se perdido comigo em outras ocasiões;
Stephanie, perdida por estar entre os perdidos;
OKman, perdido por não saber com QUEM estava lidando;
Fratini, perdido e ponto;

Eu, Karine, perdida de alma, coração e fígado.
O cenário é (e sempre será) a rua Augusta. Presumo que essa rua dispense qualquer comentário.
Cada integrante possui um papel fundamental. Sempre há aquele que se perderá por completo, isto é, perderá a consciência e, por que não dizer, a dignidade junto. Também deve existir aquele que sairá completamente ileso – este, só sai ileso por “abandonar” o rolê antes do integrante filhodaputa aparecer. O integrante filhodaputa é aquele que fornece os meios de foder o rolê (não que a mãe dele seja uma puta, longe disso). Assim, não podem faltar os integrantes semi-perdidos – estes se perdem menos pelo simples fato de já serem perdidos demais.
Tudo o que você precisa fazer é descer a Augusta em busca do snooker. Bem ali, na Peixoto Gomide, num buraco, está o snooker bar com suas quatro mesas de sinuca e uns tiozinhos escrotos. Então, para começar a se perder, bastam algumas (muitas) garrafas de cerveja, que você beberá até mijar horrores. Isto se chama aquecimento e no aquecimento nada de mal acontece. Nesse estágio, você ainda consegue jogar sinuca, segurar o taco e tudo mais. Você ainda é capaz de tirar sarro de um maconheiro que está no carro curtindo Ira. É sempre nessa fase que aquele integrante que deseja voltar ileso sai de cena. Stephanie, portanto, foi embora.

Pouco depois, sempre chega o filhodaputa, vulgo Fratini, carregando sua vocação etílica. Este então quer beber apenas destilado. Ótimo! Todos bebem destilado também. A perdição, propriamente dita, começa. Após alguns copos de vodka pura o mendigo da rua se torna o seu melhor amigo. Mendigos, aliás, são um caso especial de amizade e confiança. Mendigos são filósofos! Experimente conversar com um mendigo sob efeito de qualquer psicotrópico, eis o meu conselho.
Agora já podemos dizer que a perdição atingiu um nível considerável: o de não ter volta. Assim que você que nota que um já vomitou no banheiro e, além disso, te derrubou numa vala (sim, estou falando do OKman e, sim, eu fui derrubada na vala por ele) e outro quebra o copo do bar, é hora de subir a Augusta buscando algum tipo de salvação – embora não exista mais salvação. Você paga a conta do bar e, claro, o dono do bar te rouba na cara dura e você não faz nada, pois seu raciocínio lógico foi afetado pela cachaça e rabo-de-galo que você bebeu de maneira indiscriminada e inconsequente. Desse modo, você sobe a Augusta até o ponto crítico: o Vitrine. Não, você não precisa efetivamente adentrar neste bar. A calçada dele te basta. Você compra mais bebida, nota que seu cigarro acabou e pede para qualquer vagabundo. E qualquer vagabundo te dá. Vagabundos são generosos. Tal ato faz você ficar generoso também e você divide sua bebida com putas e/ou travestis. Neste momento, você finalmente percebe que está na merda e seus amigos completamente loucos.



Assim, você leva suas mãos à cabeça e pensa “é hora de ir embora”. OKman está loucão gritando “Ninguém toca na Karine, ela é afefóbica”, Fratini rindo descontroladamente, Nelson está cantando “Karine, minha amiga, que está quando eu estou bêbado, muito bêbado”, Jaqueline está sendo carregada e eu... Bem, eu estou indo com aquela loucura toda, quase tão louca quanto eles.
Visando o bem-estar dos piores do grupo, você encontra maneiras de obter glicose. E você obtém. Com isso você consegue chegar até o metrô consolação. Mas vocês não podem ir embora, pois Jaqueline está vomitando na calçada. Sentei ao lado dela com OKman que estava pra-lá –de-Bagdá enquanto Fratini e Nelson partiram em busca de água. Foi quando eu olhei para aquele imenso relógio da av. Paulista e me desesperei. Eu precisava voltar para casa. Deixei Jaqueline aos cuidados dos outros perdidos e fui embora - motivo pelo qual até hoje sou condenada, diga-se de passagem.
Por incrível que possa parecer, nunca, eu repito, NUNCA alguém morreu ou se feriu gravemente num rolê da perdição.

Por hoje é isso, pessoal.
Aquele abraço e aguardem os próximos casos etílicos de pura perdição.
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1 comentários:

Samy Morgan disse...

Eu adorava ler os posts dela. Pena que ela mudou a privacidade só para CONVIDADOS

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